Poema
A nossa autora Maria Emília Morgado ofereceu-nos gentilmente este poema para publicação neste espaço. Para ela um forte bem haja.
Solidão
Hoje estou só
Nesta casa muito grande
Enorme
Para a minha solidão
Quero ver
Gente minha
À volta
Sentir os passos
O cheiro
O barulho
Que hoje não existe
Nesta casa ampla
Onde já houve barafunda
Confusão
É triste sentir isolação
Numa casa vazia
Ela está em todo o lado
Enche os buracos
As fendas
Os panos
Passa por cima
Dos móveis
Das cadeiras
Deita-se na cama
Vê televisão
Ficando sem espaço
O espaço vazio da casa
Enquanto passam as horas
Vai crescendo isolamento
Torna-se enorme
Disforme
Na casa agora vazia
Deixa de haver aconchego
Para tanta solidão
Que estar só
Não é desgraça
Pior é sentir vazio
Mesmo estando acompanhada
Hoje
A minha solidão
É passageira.
Mili
(18.09.04)
Hoje estou só
Nesta casa muito grande
Enorme
Para a minha solidão
Quero ver
Gente minha
À volta
Sentir os passos
O cheiro
O barulho
Que hoje não existe
Nesta casa ampla
Onde já houve barafunda
Confusão
É triste sentir isolação
Numa casa vazia
Ela está em todo o lado
Enche os buracos
As fendas
Os panos
Passa por cima
Dos móveis
Das cadeiras
Deita-se na cama
Vê televisão
Ficando sem espaço
O espaço vazio da casa
Enquanto passam as horas
Vai crescendo isolamento
Torna-se enorme
Disforme
Na casa agora vazia
Deixa de haver aconchego
Para tanta solidão
Que estar só
Não é desgraça
Pior é sentir vazio
Mesmo estando acompanhada
Hoje
A minha solidão
É passageira.
Mili
(18.09.04)
2 Comments:
Temo que a solidão nunca seja passageira.
Enaganamo-la, enganamo-nos e enganamos.
Uma Sociedade como a que temos gera esse sentir e alimenta-o.
O poema é belo.
Abraços.
Uma maior solidão
Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.
Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.
Fernando Pessoa, 23-10-1931
E assim disse o mestre... No entanto, adorei o poema!
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